Meus amores

Meus amores

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Se fosse fácil...blá, blá, blá...


Há 17 anos atrás participei do meu primeiro Triathlon, mas antes disso passei pelo Futebol de salão e basquete. Na escola joguei vôlei e Handebol, cheguei a fazer alguns treinos de Rúgbi, fiz mountain bike, bicicross, joguei tênis com meu pai... Ou seja, sempre fui um fanático por esportes em geral. E posso dizer que nenhum deles é mais esporte, mais fácil ou melhor que outro.

Porque escrevo isso? Porque poucas coisas têm me irritado mais nos últimos tempos que o tal do “Se fosse fácil chamaria futebol”.

Nos 17 anos de Triathlon uma coisa eu posso dizer. EM relação à todos os outros esportistas, NENHUM TEM O EGO MAIOR QUE TRIATLETA!

O tempo todo tem alguém tentando provar ser o Triathlon o melhor, maior, mais duro, mais difícil, mais impossível de todos os esportes, e que vocês mortais tem que jogar futebol mesmo.

Basta ver as publicações, cheias de recalque, durante a Copa do mundo nas redes sociais:

 “Jogaram 90min e precisam parar no meio para tomar água? Quero ver pedalar 5horas”

“Jogam duas vezes por semana e estão cansados? Vem fazer 20x400m comigo para ver o que é bom”

“tomou uma mordidinha e tá reclamando com o Juiz? Imagina na largada da natação de um Ironman?”

E por aí vai...

Isso para não falar de fotos comparando as lesões de jogadores com triatletas e ciclistas que mesmo após quedas seguiram na prova pois são semideuses frente aos mortais futebolistas, ou comparativos ridículos entre o Tour de France (que aliás começou sábado e vale à pena acompanhar) e a Copa do Mundo.

Eu mesmo já escrevi que jogador de futebol não é atleta aqui no Blog. E confesso que me enganei.

Podemos dizer que existem jogadores de futebol que não são exemplos de atleta. Como Adriano, Ronaldo Gaúcho, Ronaldo Fenômeno em fim de carreira, Romário, Sócrates para ficar apenas nos brasileiros. Mas existem aqueles que são atletas de altíssimo nível! Maicon, Robben, Messi, Cafu etc...

Mas como os jogadores citados como “não atletas” podem se destacar no futebol? Porque o Futebol não segrega jogadores com um físico específico. Um jogador com um talento acima da média pode ser baixinho (Romário), gordo (Neto em 1990 ou Ronaldo no Corinthians), nada atlético e até um pouco lento (Doutor Sócrates) e mesmo assim ser o melhor do Mundo! Nesta lista 2 atingiram este status.

Mas a maioria dos jogadores de futebol, infelizmente, não tem esse talento e precisam sim ser atletas.

Para provar minha teoria recomendo que faça o seguinte teste:

Num campo de 110m de comprimento e 50 de largura, gramado fique trotando aleatoriamente quando alguém soa um apito você corre por 50m o mais rápido que puder controlando uma bola, mudando de direção e sendo puxado e atingido por outra pessoa. Ao chegar ao final dos 50m pule o mais alto que conseguir, respire por 5 segundos e volte correndo até o outro extremo do campo. Repita isso por 90 min ou até somar 8 a 9km (média percorrida por um jogador de futebol).

Feito isso, me escreva como se sentiu ao acordar. Faça isso no domingo, repouse na segunda, treine na terça e repita isso na quarta. Se você não for um atleta, é capaz que não sobreviva até o próximo domingo.
 
*Obs; Seria interessante realizar o teste em campo molhado, em salvador com 31ºC e após 87 min tentar repetir a arrancada do Robben por 35m a 37km/h, com parada, mudança de direção em 90graus reaceleração e chute.

Me considero uma pessoa razoavelmente bem condicionada fisicamente e mesmo assim, quando jogo uma partida de futebol fico uma semana em um estado deplorável. Dores nas costas, nas coxas, nas panturrilhas e até no pescoço!

Voltando ao triatlhon.

Triathlon é um esporte fantástico, combina 3 modalidades distintas (Natação Ciclismo e Corrida) em distâncias que variam de um short (aproximadamente 1 hora) até um Ironman (de 10:00h a 17:00h). Porém!!!!!! O fato do esporte ter modalidades de duração longa como um Ironman não faz dos triatletas mais atletas, melhores, mais fortes do que ninguém.

A duração de um esporte não o torna mais difícil ou melhor que nenhum outro! Ou seria Usain Bolt menos atleta que Haile Gerbselassie? Ou Cesar Cielo menos atleta que Poliana Okimoto?

Ego de Triatleta é algo complicado. Até entre eles (ou nós) existem aqueles que quando chamados de triatletas prontamente respondem: “Não sou triatleta. Sou Ironman”. Não, não é brincadeira! Já presenciei o fato. Existem aqueles que menosprezam as distâncias short e olímpico, pois triatleta mesmo FAZ IRONMAN!!! Já vi tatuagens “Fuck the normal life! I´m an Ironman”.

Enfim, parece que as pessoas não curtem o esporte pelo que ele é, mas sim para se provarem diferentes (melhores) dos demais! Ser o mais resistente, o mais longo, o mais casca-grossa, o mais fodástico de todos!

Triathlon é o esporte que eu pratico há 17 anos e sou absolutamente viciado por ele. Mas nada me impede de acompanhar simultaneamente a Copa do Mundo, a final de Winbledon, a Formula 1, o Tour de France e o amistoso do Corinthians! Isso não faz de mim menos triatleta e nem pior, nem melhor do que ninguém.

Sobre o futebol; é o esporte mais praticado e assistido no mundo! Tem um retorno absurdo para os que nele investem, tem pouco ou nenhum investimento privado (não estou falando de estádios de copa do mundo) e não é o culpado pela falta de exposição ou de investimentos em nenhum outro esporte!
                Assim como qualquer outro esporte, tem seus ídolos, seus vilões, suas falcatruas, seus erros e seus acertos. Mas não é pior nem melhor que nenhum outro!

A única coisa que diferencia o futebol dos demais esportes é o fanatismo! Ou você imagina algum torcedor do Froome ao encontrar um torcedor do Contador, antes mesmo de dizer bom dia após uma vitória do Froome, diga um sonoro CHUUUUUPPPPAAA!!!!

 

Desabafo feito. Abs!

 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

COPA DO MUNDO É DO CARA...MBA



Vendo nas redes sociais os comentários de meus amigos triatletas, ciclistas, corredores e demais indignados com o futebol comentando sobre a comemoração de gol roubado, vergonha, esporte "de mentira" etc, etc, etc... Cheguei a conclusão que eles estão corretos, afinal já pensaram se:

1) O maior campeão da maior volta ciclística do mundo perdesse todos os seus títulos por estar envolvido no maior caso de DOPING da história. E os vice-campeões JAMAIS exigirem os títulos e essa volta ficasse sem campeão por sete anos?

2) Se o recordista mundial dos 50m e 100m livres tomasse um "suplemento contaminado" com substância dopante? E você liberado, afinal coitado! Ele nem sabia...

3) Outro dos maiores ciclistas do mundo fosse livrado do doping porque comeu um bife (que devia ter pelo menos meia tonelada) contaminado com clembuterol?

4) Se triatletas amadores e profissionais usassem a "malandragem" (pratica totalmente condenada por mim e usada ontem pelo Fred ao cavar o pênalti mal marcado) e pedalasse no vácuo em provas onde isso é proibido e roubassem as colocações de atletas honestos?

Menos gente, o recalque está passando dos limites!!!

Cada esporte tem suas características, suas virtudes e seus defeitos. Dá para gostar de mais de um ao mesmo tempo. O sucesso de um não leva ao fracasso de outro.

Futebol, tem seus defeitos, suas falcatruas? AOS MONTES!!!! Assim como todos os outros citados, então pessoal, menos recalque, menos invejinha e vamos aproveitar o esporte como entretenimento! Para sair um pouco do dia a dia e relaxar!

Futebol é um esporte fantástico, não é à toa que é o esporte mais praticado e assistido no mundo! Ele mexe com a paixão das pessoas de um jeito que nenhum outro é capaz. E NÃO! O futebol não é culpado por nada de ruim que acontece em nosso país.

Aproveitem a COPA! Copa é legal demais! Dá para se divertir e isso não faz de você um alienado político ou um patriota cego!

Sim, nosso país tem muita coisa errada! Mas sempre que um atleta, seja qual for o esporte, entrar em campo, piscina, quadra, estrada, pista, ginásio, ringue representando as cores verde e amarela ele terá minha torcida!

AQUI É ESPORTE! AQUI É BRASIL!!

Grande abraço!

quarta-feira, 28 de maio de 2014


Minha opinião sobre a realização da Copa do Mundo e sobre as Olimpíadas no Brasil sempre foi a mesma. FUI CONTRA DESDE O INÍCIO.

                Nosso país tem inúmeras prioridades para serem resolvidas antes de realizarmos eventos desta magnitude. Mesmo que o tal “LEGADO” tivesse sido criado da forma como foi prometido pelo então presidente LULA, com 90% de investimento da iniciativa privada e 10% de dinheiro público, os 10% de dinheiro público poderiam ter um destino muito melhor para a população.

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI2872950-EI306,00-Trembala+sera+usado+na+Copa+do+Mundo+diz+Dilma.html

 

                Com tudo isso, quando o então Presidente trouxe ambos eventos para o país, não me lembro de ter visto NENHUM movimento contra a realização dos mesmos. Vi sim, gente elogiando o presidente, colocando-o como “ O CARA” e dizendo que quem o criticava era da oposição e tinha inveja por não ter conseguido estes feitos antes.

                Desde o início em 2007 (7 anos atrás) o então presidente garantiu que faríamos a #copadascopas, que não faríamos tudo perfeito, mas tudo com um “jeitinho brasileiro” (lamentável um presidente oficializar a GAMBIARRA) e garantiu em uma reunião entre empresários e políticos brasileiros e africanos na África do Sul em 2010, que caso o Brasil não estivesse pronto para receber a Copa do Mundo ele voltaria nadando para a África (quando ele começa?).
                                                                (foi dada a largada)

                Agora às vésperas da Copa vejo parte da população protestando contra a FIFA e pergunto; QUE CULPA A FIFA TEM? NENHUMA!!!

                A FIFA não procurou o Brasil para sediar a COPA. O Brasil se candidatou para tal.

                A FIFA é dona da Copa do mundo e define os padrões que ela quer para a realização do seu evento. Cabe a quem se candidata a ser sede ter consciência de que pode ou não se adequar para oferecer tais padrões.

                A falta de competência, gestão, administração de prioridades do nosso Governo conseguiu transformar uma das maiores paixões do Brasileiro em algo ruim.

O que todo brasileiro um dia sonhou, ver uma Copa do mundo em casa, se transformou num motivo de vergonha e ao invés de colocar nosso país no mapa dos grandes eventos, escancarou a péssima situação que vive nosso país. E, de repente o culpado de tudo isso é o futebol e é a FIFA.

                O Brasil tem um péssimo sistema de saúde pública, um péssimo sistema de educação pública, um inexistente sistema de transporte público e não oferece segurança nenhuma para sua população faz tempo! A realização da Copa ou a FIFA não pioraram isso, JÁ ERA RUIM!

                O dinheiro que está sendo (mal) gasto na construção de estádios não brotou nos cofres do governo. Ele já estava lá! E se não fosse utilizado para construção dos estádios, NÃO SERIA DESTINADO nem a saúde, nem à educação, nem ao transporte e nem à segurança! NÃO VAMOS NOS ILUDIR! Nunca foi! Porque seria agora?

                Depois de tudo isso minha conclusão é que SIM, sou contra a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. Mas entre e ser contra e destruir o que foi feito ou querer impedir a realização do evento existe uma grande diferença. Ser contra é uma coisa, destruir o que foi feito é BURRICE, assim como criticar jogadores de futebol por seus altos salários ou a FIFA por suas exigências.

Vou torcer pela seleção e pelos jogadores e demonstrarei minha indignação nas URNAS em outubro fazendo de tudo para retirar o governo que aí está.

E tomara que o COI abra os olhos e em um ataque de consciência reveja seus planos de realizar os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, para que o povo não tenha como o legado da Copa e das Olimpíadas somente a conta para pagar.

 

Abs

domingo, 6 de abril de 2014

RELATO DE PROVA (parte dela) 70.3 DF

          

Cada prova é um aprendizado. Você pode ter experiência anteriores (no meu caso eram 19 meios ou 70.3) antes deste, mas sempre algo novo acontece e sempre aprendemos.

Decidi fazer o 70.3 Brasília quando perdi a inscrição para o GP Extreme (vacilo), já vinha treinando bem desde o início de Janeiro para o Internacional de Santos (que apesar de toda a confusão que aconteceu serviu para indicar o caminho. Meus objetivos de pedal e corrida somarem 1:40min foram atingidos com (1:37:00), e tinha adicionado um volume de ciclismo para os 100km do GP Extreme. Então tinha um mês para o volume da corrida. O que considerando a experiência prévia era tempo suficiente.

Com apoio do Alexandre Giglioli (www.agiglioli.com.br) e do Arthur Alvim que montaram meus treinos, tudo parecia encaixado. A natação, o ciclismo, a corrida, as transições e a nutrição foram testados nos treinos e todos responderam bem. O Objetivo estava na cabeça e eu me sentindo mais forte que nunca.
Chegou o dia! Viagem tranquila com a minha torcedora Símbolo (ANDRESSA) e um dos meus mais fiéis seguidores (LUCAS, Felipe ficou com a avó em SP), muita água no dia anterior, retirada do Kit, bike check-in (Gerson – GERNA www.gerna.com.br. VOCÊ É O CARA!!!! Minha bike só viaja com você!!), pintura do número, organização das sacolas e todo aquele ritual pré prova.

LARGADA:
1.100 atletas é muita coisa para uma largada só! É um quebra pau sem fim! Todo mundo se batendo, apanhando, esbarrando e só fui conseguir realmente nadar após o contorno da segunda bóia.
A largada em ondas de 400 atletas resolveria isso facilmente.
No retorno da última bóia, o susto. Ao me levantar na água para orientação, dei uma pernada mais forte e CÂIMBRA!!! Mas uma câimbra muito forte na panturrilha direita. Muito estranho, nunca tenho câimbras treinando, ainda mais em uma natação de menos de 2.000m que testei várias vezes antes da prova.
Parei, respirei e segui. Ao subir no deck para sair da água, CÂIMBRA!!! Ao tirar a roupa de borracha CÂIMBRA!!!! Parei alonguei, capacete, sapatilha e vamos pro ciclismo.
A panturrilha direita estava dura feito pau, dava para ver o músculo repuxando e com e tremendo enquanto pedalava, mas o foco era o número mantivemos o ritmo! Primeira volta 49 minutos 36,7Km/h, percurso duro, com vento e à cada subida a panturrilha gritava.
Na segunda volta quando passava pela ponte JK, fui engolido por um Pelotão de uns 15 atletas (lamentável, pois havia fiscalização e nada estava sendo feito, mas isso é outro problema). Como fico muito puto com esses pelotões, levantei e sprintei. Talvez esse tenha sido o erro, pois foi nesse Sprint que travou tudo. A câimbra veio desde a panturrilha até a sola do pé e sentia o dedão do pé direito querendo furar a sola da sapatilha. Parei e deitei, tudo repuxando, tudo travado.
Uma raiva filha da P... de saber que estava em excelentes condições de fazer meu melhor meio e por algum erro, não sei onde. Provavelmente na nutrição, tudo foi jogado fora...
Lá vou eu, entrando no carro da organização e voltando para a área de transição. Encontrei minha amiga Vanessa Bley e chorei feito criança. Liguei para a Dê para contar e lá vem mais choro...choro de raiva, choro de frustração.
Parece que algo sempre dá errado nos meus 70.3...
O pior de tudo foi que o Lucas estava louco para me ver correndo e estava me esperando na T2. Mas foi aí que de repente ganhei meu dia, meu ano e um troféu que nenhum pórtico de chegada, pódio pode me dar.
Ao me ver parado Lucas veio dizendo corre pai! Vai papai! Vai papai!
- Não dá Filhão, papai se machucou.
- Onde pai?
- Aqui, filho na perna.
Ele então abaixou, deu um beijo na batata da perna e falou: “Pronto pai, sarou. Pode ir. Vai! Vai!Vai!”
Pois é, a gente fica chateado quando uma prova não sai como planejado. Mas ganha uma demonstração como essa e vê que pelo menos estamos levando os filhos para o caminho certo. E esse é um TROFÉU que não tem preço!

Então não dá para pensar em parar. É escolher a próxima e correr para esse molequinho gente boa, para o irmãozinho dele e minha Líder de Torcida! Amo vocês!

 



Que venhas as próximas!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

IRONMAN.... AH O IRONMAN...

Escrevi este texto ano passado para o Blog do Grande Ciro Violin. Como é chegada a época do Ironman, reproduzo-o novamente aqui para dar uma força aos amigos!

IRONMAN...AH! O IRONMAN...

Por Betão Nitrini

 
Muitos consideram o Ironman uma prova física. Mas na verdade, na minha opinião, está longe de ser isso. Claro que você precisa se preparar fisicamente, mas a preparação mental é fundamental e muito mais difícil de ser treinada. Para exemplificar esta “teoria” vou usar minhas provas de 2009 e 2010.

No ano de 2009 decidi encarar o iron após 3 anos de ausência (o último havia sido 2006 e antes 2002), pela vontade de fazer um tempo melhor e pela companhia para os treinos. Éramos então, eu, Arthur Alvim, Fabio Barbagli, Fernando Cesário, Bruno D´angelo e Marcos Faria (uma galera que além de ser gente finíssima “anda” forte!).
Tenho por hábito anotar todos os meus treinos em um caderninho, pois me ajuda a comparar velocidades, frequência cardíaca e a evolução nos treinos. E em 2009, entre janeiro e maio, não perdi NENHUM treino de corrida, perdi 6 treinos de natação e 4 de ciclismo (sendo apenas 1 longo).

Fiz todo o planejamento nutricional, mantive o acompanhamento mensal com a nutricionista, fiz fisioterapia, massagem, até musculação (!!!), cheguei em Floripa na quarta feira anterior à prova. Tudo para chegar inteiro na prova, e realmente foi assim que cheguei. Fechei a prova em 10:35 minutos satisfeito com o resultado.

Em 2010 em virtude das mudanças no trabalho, a gravidez da minha esposa e também à redução da empolgação dos amigos citados acima e da minha também. Perdi vários treinos de corrida, vários de ciclismo, aboli a musculação, não fui a nutricionista e cheguei a Floripa sexta à tarde com o intuito de simplesmente fechar a prova. Se o fizesse para menos de 11:00 estaria satisfeito. Como nem tudo é perfeito, na noite anterior quando fui raspar as pernas, meu pé escapou da pia e arranquei um talho de 6 cm de pele da lateral da perna direita (cicatriz que ficou como lembrança desta burrice).

Lá fui eu para a farmácia para comprar gaze, esparadrapo micropore e algo que estancasse o sangramento do maldito corte!
No domingo decidi que iria correr de meia de compressão para segurar o curativo no lugar. Entrei na área de transição e coloquei um kit de curativo para fazer após a natação e após o ciclismo (lá se iam uns bons minutos de transição).
Largada!!! Natação e aquele curativo querendo soltar a água do mar fazendo arder pacas o corte e eu nadando! Etapa cumprida! Troquei o curativo, peguei minhas coisas e saí para pedalar, aí percebo que meu garmin havia ficado ligado na sacola e não tinha mais bateria e eu não tenho cateye na bicicleta! 

 



Conclusão, fiz a prova toda na percepção de esforço, olhava para os outros e pensava: esse cara pedala forte na USP, se eu passar é por que estou bem e assim foram os 180km, quando saí da transição para correr me ofereceram um cronômetro para que eu pudesse ter pelo menos a noção do tempo de prova e do ritmo de corrida, ignorei os pedidos! AGORA VAI DO INÍCIO AO FIM NA PERCEPÇÃO!

E assim foi. Acreditem ou não, sem saber o tempo da prova, a velocidade da bike, o ritmo da corrida ou o tempo da natação, tendo que trocar os curativos e sem a qualidade dos treinos de 2009, fechei a prova com 10:08. 27 minutos abaixo do ano anterior! Provavelmente se não tivesse perdido tanto tempo para torcar os curativos do maldito corte, teria realizado o sonho do sub-10h (Ah!!! As desculpas dos triatletas...)

O que eu quero dizer com isso? Que apesar de estar melhor treinado em 2009, a cabeça fica presa a ritmos, velocidades médias, frequência cardíaca etc... e esquecemos que estamos ali para nadar, correr e pedalar dentro de um esforço máximo que suportamos e não existe forma melhor de controlar seu corpo do que ouví-lo! Fui obrigado pelas circunstâncias à fazê-lo e tive meu melhor desempenho. Fica minha dica para todos que estarão no IMB2012, OUÇAM SEUS CORPOS!!! Acompanhem pelo Garmin, pela FC, pelo cateye, mas não se baseie por isso! Seu corpo pode passar informações menos claras, mais muito mais confiáveis que nossas bugigangas tecnológicas!

Abraços!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Prioridades secundárias


 
 
Frequento a Cidade Universitária desde criança, quando participava das aulas de introdução a pratica esportiva no CEPEUSP, e nesta época já  havia ciclistas treinando dentro do Campus.
Anos depois fiz o curso de Medicina Veterinária na FMVZ-USP e justamente nesta época, frequentando o CEPEUSP, agora como aluno, conheci alguns triatletas e decidi testar este esporte pelo qual me viciei até hoje e espero não me curar tão cedo.
A Universidade de São Paulo não me apresentou apenas o triathlon. Lá pude ver de perto furtos e roubos de carros, sequestros relâmpago, notícias de estupro, tráfico e consumo de drogas dos mais variados tipos (a USP foi o primeiro local onde vi pessoas cheirando e injetando cocaína livremente numa festa em uma unidade do Campus).
Mas onde eu quero chegar com isso?
Pois bem escrevo isso por que, de novo, a Prefeitura do Campus demonstra enorme preocupação em regulamentar a prática do Ciclismo esportivo dentro da Cidade Universitária como se esse fosse o principal problema do campus.
Em abril de 2005 o ciclismo chegou a ser proibido dentro do Campus. Cheguei a ser perseguido pela Guarda Universitária, que me acompanhou até meu carro e me obrigou a guardar a bicicleta e me escoltou “gentilmente” até o portão de saída. Depois disso já tivemos outras tentativas de limitar o campus para o Ciclismo, todas, ainda bem, mal sucedidas.
O que faz a USP, seus estudantes e funcionários (quase todos, menos minha queridíssima esposa e meu pai rsrsrs) achar que a cidade universitária é um mundo à parte, onde eles podem proibir as pessoas de entrar e sair? A USP é de todos nós! Somos nós que sustentamos aquilo tudo. Nós que bancamos os professores, funcionários, alunos e até aquela meia dúzia de idiotas que vez ou outra decide proibir a PM de entrar no Campus para que possam traficar e consumir suas drogas livremente.
Eu não sou contra a regulamentação do ciclismo dentro da Cidade Universitária. Acho que o número de praticantes cresceu demais, tem muita gente que não respeita leis básicas de convivência, existem assessorias que não estão nem aí (todos sabem à quem me refiro), enfim algo precisa ser feito.
O que me causa estranheza é esta preocupação enorme com a regulamentação de locais e horários para a prática do ciclismo esportivo.
Por que a Prefeitura do Campus não se preocupa em regulamentar local e horário para a prática dos assaltos, furtos de veículos, estupros, tráfico e/ou consumo de drogas? Facilitaria bastante o combate à estes crimes. E por que não direcionar a já escassa guarda universitária para coibir crimes ao invés de práticas esportivas?
Mas criar as regras é fácil. Difícil é criar fiscalização, educação e punição aos infratores.
Como eu já disse antes em outro post (http://bnitrini.blogspot.com/2011/06/educacao-ou-adestramento.html); você pode ensinar seu cachorro a não subir no sofá, mas se não vigiar e não puni-lo quando ele subir, quando você virar as costas e adivinha onde ele vai dormir? O ser humano é igualzinho! Alguns precisam de educação, mas a maioria só funciona com adestramento!
Espero que prevaleça o bom senso nessa situação. Tanto dos gestores da USP quanto dos que se utilizam da cidade universitária para seus treinos.
Vou deixar aqui o link de um outro post que fiz algum tempo atrás sobre a educação (ou falta dela) dos ciclistas na USP.
 

Abs!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O equipamento está ligado ao nível do atleta?


Quando comecei a praticar o triathlon em 1997 não havia muitas opções de equipamento. As bicicletas eram de cro-mo (liga de cromo e molibdênio)ou alumínio. Carbono, Rodas de competição, bermudas, macaquinhos com materiais tecnológicos, roupas de borracha não existiam (ou eram muito caros e raros).

Com isso pude acompanhar a evolução das bicicletas, tive bicicletas de alumínio, depois com garfo de carbono, depois com traseira de carbono, depois toda de carbono, comprei rodas de competição, roupas de borracha, roupas de prova tecnológicas etc...

Pude também acompanhar o crescimento do esporte aqui no Brasil, e crescer junto com ele. Começando no short, depois o olímpico, o meio iron e finalmente o Ironman.

Mas me pergunto, se eu estivesse começando hoje; o que me impediria de comprar uma P5C e me inscrever num IRONMAN??? 

NADA!!! (talvez o orçamento e/ou a Andressa)

O problema é que parece que isso incomoda muita gente.

Nas redes sociais leio frequentemente críticas às pessoas que “não merecem o equipamento que tem”. O que me leva a perguntar; quem define o nível de equipamento que cada um pode ter?

O que seria da Cervelo, Trek, Specialized etc... se somente um Craig Alexander, um Chris MacCormack, uma Crissie Wellington pudessem pedalar suas bikes top? Afinal eles MERECEM O EQUIPAMENTO! Logo se essas bikes são projetadas para eles, quem somos nós, mortais para querer pedalar numa bike dessas??

As empresas precisam vender P5´s, Shiv´s, Trek´s Concepts etc.. para AMADORES e é disso que sobrevivem!  Sem o desejo de ter um equipamento top, não existiria a indústria de bicicletas de competição.

Somente cerca de 5% dos inscritos do IMBrasil se classificam para o Havaí, então somente esses 5% poderiam andar com os melhores equipamentos, já que os demais “não merecem o equipamento que tem”?

Como disse o Renato Fabri, o grande barato do ciclismo e do triathlon é que você pode comprar a mesma bike que o Craig Alexander usou no Havaí e pedalar por aí com ela! Seja à 25km/h ou a 45km/h! A bike é sua e é igualzinha à do Bicampeão mundial! Já pensou se os fãs de automobilismo pudessem ter um Ferrari igual à do Schumacher?!?!

Por isso que quando leio críticas sobre pessoas que "desperdiçam o equipamento" fico chateado por quem critica, pois me parece um comentário cheio de inveja e recalque. E aposto que quem critica, quando comprou seu equipamento, comprou o melhor que podia e não usou seus resultados como base para a compra.

Sempre que alguém que está iniciando me pergunta sobre que equipamento comprar, respondo sempre a mesma coisa: COMPRE O MELHOR QUE PUDER! Assim você fica bastante tempo com ele e não perde dinheiro.

Acho que existe uma preocupação muito grande com o TER na sociedade de hoje, mas existe outra preocupação maior ainda com o “porque ele TEM e eu NÃO TENHO”.

Nem vou entrar aqui na discussão sobre as criticas à quem inicia no Triathlon para fazer o Ironman. Que também parece incomodar muita gente (sem razão).

 

Bons treinos!

 

Abs!