Meus amores

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domingo, 6 de abril de 2014

RELATO DE PROVA (parte dela) 70.3 DF

          

Cada prova é um aprendizado. Você pode ter experiência anteriores (no meu caso eram 19 meios ou 70.3) antes deste, mas sempre algo novo acontece e sempre aprendemos.

Decidi fazer o 70.3 Brasília quando perdi a inscrição para o GP Extreme (vacilo), já vinha treinando bem desde o início de Janeiro para o Internacional de Santos (que apesar de toda a confusão que aconteceu serviu para indicar o caminho. Meus objetivos de pedal e corrida somarem 1:40min foram atingidos com (1:37:00), e tinha adicionado um volume de ciclismo para os 100km do GP Extreme. Então tinha um mês para o volume da corrida. O que considerando a experiência prévia era tempo suficiente.

Com apoio do Alexandre Giglioli (www.agiglioli.com.br) e do Arthur Alvim que montaram meus treinos, tudo parecia encaixado. A natação, o ciclismo, a corrida, as transições e a nutrição foram testados nos treinos e todos responderam bem. O Objetivo estava na cabeça e eu me sentindo mais forte que nunca.
Chegou o dia! Viagem tranquila com a minha torcedora Símbolo (ANDRESSA) e um dos meus mais fiéis seguidores (LUCAS, Felipe ficou com a avó em SP), muita água no dia anterior, retirada do Kit, bike check-in (Gerson – GERNA www.gerna.com.br. VOCÊ É O CARA!!!! Minha bike só viaja com você!!), pintura do número, organização das sacolas e todo aquele ritual pré prova.

LARGADA:
1.100 atletas é muita coisa para uma largada só! É um quebra pau sem fim! Todo mundo se batendo, apanhando, esbarrando e só fui conseguir realmente nadar após o contorno da segunda bóia.
A largada em ondas de 400 atletas resolveria isso facilmente.
No retorno da última bóia, o susto. Ao me levantar na água para orientação, dei uma pernada mais forte e CÂIMBRA!!! Mas uma câimbra muito forte na panturrilha direita. Muito estranho, nunca tenho câimbras treinando, ainda mais em uma natação de menos de 2.000m que testei várias vezes antes da prova.
Parei, respirei e segui. Ao subir no deck para sair da água, CÂIMBRA!!! Ao tirar a roupa de borracha CÂIMBRA!!!! Parei alonguei, capacete, sapatilha e vamos pro ciclismo.
A panturrilha direita estava dura feito pau, dava para ver o músculo repuxando e com e tremendo enquanto pedalava, mas o foco era o número mantivemos o ritmo! Primeira volta 49 minutos 36,7Km/h, percurso duro, com vento e à cada subida a panturrilha gritava.
Na segunda volta quando passava pela ponte JK, fui engolido por um Pelotão de uns 15 atletas (lamentável, pois havia fiscalização e nada estava sendo feito, mas isso é outro problema). Como fico muito puto com esses pelotões, levantei e sprintei. Talvez esse tenha sido o erro, pois foi nesse Sprint que travou tudo. A câimbra veio desde a panturrilha até a sola do pé e sentia o dedão do pé direito querendo furar a sola da sapatilha. Parei e deitei, tudo repuxando, tudo travado.
Uma raiva filha da P... de saber que estava em excelentes condições de fazer meu melhor meio e por algum erro, não sei onde. Provavelmente na nutrição, tudo foi jogado fora...
Lá vou eu, entrando no carro da organização e voltando para a área de transição. Encontrei minha amiga Vanessa Bley e chorei feito criança. Liguei para a Dê para contar e lá vem mais choro...choro de raiva, choro de frustração.
Parece que algo sempre dá errado nos meus 70.3...
O pior de tudo foi que o Lucas estava louco para me ver correndo e estava me esperando na T2. Mas foi aí que de repente ganhei meu dia, meu ano e um troféu que nenhum pórtico de chegada, pódio pode me dar.
Ao me ver parado Lucas veio dizendo corre pai! Vai papai! Vai papai!
- Não dá Filhão, papai se machucou.
- Onde pai?
- Aqui, filho na perna.
Ele então abaixou, deu um beijo na batata da perna e falou: “Pronto pai, sarou. Pode ir. Vai! Vai!Vai!”
Pois é, a gente fica chateado quando uma prova não sai como planejado. Mas ganha uma demonstração como essa e vê que pelo menos estamos levando os filhos para o caminho certo. E esse é um TROFÉU que não tem preço!

Então não dá para pensar em parar. É escolher a próxima e correr para esse molequinho gente boa, para o irmãozinho dele e minha Líder de Torcida! Amo vocês!

 



Que venhas as próximas!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

IRONMAN.... AH O IRONMAN...

Escrevi este texto ano passado para o Blog do Grande Ciro Violin. Como é chegada a época do Ironman, reproduzo-o novamente aqui para dar uma força aos amigos!

IRONMAN...AH! O IRONMAN...

Por Betão Nitrini

 
Muitos consideram o Ironman uma prova física. Mas na verdade, na minha opinião, está longe de ser isso. Claro que você precisa se preparar fisicamente, mas a preparação mental é fundamental e muito mais difícil de ser treinada. Para exemplificar esta “teoria” vou usar minhas provas de 2009 e 2010.

No ano de 2009 decidi encarar o iron após 3 anos de ausência (o último havia sido 2006 e antes 2002), pela vontade de fazer um tempo melhor e pela companhia para os treinos. Éramos então, eu, Arthur Alvim, Fabio Barbagli, Fernando Cesário, Bruno D´angelo e Marcos Faria (uma galera que além de ser gente finíssima “anda” forte!).
Tenho por hábito anotar todos os meus treinos em um caderninho, pois me ajuda a comparar velocidades, frequência cardíaca e a evolução nos treinos. E em 2009, entre janeiro e maio, não perdi NENHUM treino de corrida, perdi 6 treinos de natação e 4 de ciclismo (sendo apenas 1 longo).

Fiz todo o planejamento nutricional, mantive o acompanhamento mensal com a nutricionista, fiz fisioterapia, massagem, até musculação (!!!), cheguei em Floripa na quarta feira anterior à prova. Tudo para chegar inteiro na prova, e realmente foi assim que cheguei. Fechei a prova em 10:35 minutos satisfeito com o resultado.

Em 2010 em virtude das mudanças no trabalho, a gravidez da minha esposa e também à redução da empolgação dos amigos citados acima e da minha também. Perdi vários treinos de corrida, vários de ciclismo, aboli a musculação, não fui a nutricionista e cheguei a Floripa sexta à tarde com o intuito de simplesmente fechar a prova. Se o fizesse para menos de 11:00 estaria satisfeito. Como nem tudo é perfeito, na noite anterior quando fui raspar as pernas, meu pé escapou da pia e arranquei um talho de 6 cm de pele da lateral da perna direita (cicatriz que ficou como lembrança desta burrice).

Lá fui eu para a farmácia para comprar gaze, esparadrapo micropore e algo que estancasse o sangramento do maldito corte!
No domingo decidi que iria correr de meia de compressão para segurar o curativo no lugar. Entrei na área de transição e coloquei um kit de curativo para fazer após a natação e após o ciclismo (lá se iam uns bons minutos de transição).
Largada!!! Natação e aquele curativo querendo soltar a água do mar fazendo arder pacas o corte e eu nadando! Etapa cumprida! Troquei o curativo, peguei minhas coisas e saí para pedalar, aí percebo que meu garmin havia ficado ligado na sacola e não tinha mais bateria e eu não tenho cateye na bicicleta! 

 



Conclusão, fiz a prova toda na percepção de esforço, olhava para os outros e pensava: esse cara pedala forte na USP, se eu passar é por que estou bem e assim foram os 180km, quando saí da transição para correr me ofereceram um cronômetro para que eu pudesse ter pelo menos a noção do tempo de prova e do ritmo de corrida, ignorei os pedidos! AGORA VAI DO INÍCIO AO FIM NA PERCEPÇÃO!

E assim foi. Acreditem ou não, sem saber o tempo da prova, a velocidade da bike, o ritmo da corrida ou o tempo da natação, tendo que trocar os curativos e sem a qualidade dos treinos de 2009, fechei a prova com 10:08. 27 minutos abaixo do ano anterior! Provavelmente se não tivesse perdido tanto tempo para torcar os curativos do maldito corte, teria realizado o sonho do sub-10h (Ah!!! As desculpas dos triatletas...)

O que eu quero dizer com isso? Que apesar de estar melhor treinado em 2009, a cabeça fica presa a ritmos, velocidades médias, frequência cardíaca etc... e esquecemos que estamos ali para nadar, correr e pedalar dentro de um esforço máximo que suportamos e não existe forma melhor de controlar seu corpo do que ouví-lo! Fui obrigado pelas circunstâncias à fazê-lo e tive meu melhor desempenho. Fica minha dica para todos que estarão no IMB2012, OUÇAM SEUS CORPOS!!! Acompanhem pelo Garmin, pela FC, pelo cateye, mas não se baseie por isso! Seu corpo pode passar informações menos claras, mais muito mais confiáveis que nossas bugigangas tecnológicas!

Abraços!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Prioridades secundárias


 
 
Frequento a Cidade Universitária desde criança, quando participava das aulas de introdução a pratica esportiva no CEPEUSP, e nesta época já  havia ciclistas treinando dentro do Campus.
Anos depois fiz o curso de Medicina Veterinária na FMVZ-USP e justamente nesta época, frequentando o CEPEUSP, agora como aluno, conheci alguns triatletas e decidi testar este esporte pelo qual me viciei até hoje e espero não me curar tão cedo.
A Universidade de São Paulo não me apresentou apenas o triathlon. Lá pude ver de perto furtos e roubos de carros, sequestros relâmpago, notícias de estupro, tráfico e consumo de drogas dos mais variados tipos (a USP foi o primeiro local onde vi pessoas cheirando e injetando cocaína livremente numa festa em uma unidade do Campus).
Mas onde eu quero chegar com isso?
Pois bem escrevo isso por que, de novo, a Prefeitura do Campus demonstra enorme preocupação em regulamentar a prática do Ciclismo esportivo dentro da Cidade Universitária como se esse fosse o principal problema do campus.
Em abril de 2005 o ciclismo chegou a ser proibido dentro do Campus. Cheguei a ser perseguido pela Guarda Universitária, que me acompanhou até meu carro e me obrigou a guardar a bicicleta e me escoltou “gentilmente” até o portão de saída. Depois disso já tivemos outras tentativas de limitar o campus para o Ciclismo, todas, ainda bem, mal sucedidas.
O que faz a USP, seus estudantes e funcionários (quase todos, menos minha queridíssima esposa e meu pai rsrsrs) achar que a cidade universitária é um mundo à parte, onde eles podem proibir as pessoas de entrar e sair? A USP é de todos nós! Somos nós que sustentamos aquilo tudo. Nós que bancamos os professores, funcionários, alunos e até aquela meia dúzia de idiotas que vez ou outra decide proibir a PM de entrar no Campus para que possam traficar e consumir suas drogas livremente.
Eu não sou contra a regulamentação do ciclismo dentro da Cidade Universitária. Acho que o número de praticantes cresceu demais, tem muita gente que não respeita leis básicas de convivência, existem assessorias que não estão nem aí (todos sabem à quem me refiro), enfim algo precisa ser feito.
O que me causa estranheza é esta preocupação enorme com a regulamentação de locais e horários para a prática do ciclismo esportivo.
Por que a Prefeitura do Campus não se preocupa em regulamentar local e horário para a prática dos assaltos, furtos de veículos, estupros, tráfico e/ou consumo de drogas? Facilitaria bastante o combate à estes crimes. E por que não direcionar a já escassa guarda universitária para coibir crimes ao invés de práticas esportivas?
Mas criar as regras é fácil. Difícil é criar fiscalização, educação e punição aos infratores.
Como eu já disse antes em outro post (http://bnitrini.blogspot.com/2011/06/educacao-ou-adestramento.html); você pode ensinar seu cachorro a não subir no sofá, mas se não vigiar e não puni-lo quando ele subir, quando você virar as costas e adivinha onde ele vai dormir? O ser humano é igualzinho! Alguns precisam de educação, mas a maioria só funciona com adestramento!
Espero que prevaleça o bom senso nessa situação. Tanto dos gestores da USP quanto dos que se utilizam da cidade universitária para seus treinos.
Vou deixar aqui o link de um outro post que fiz algum tempo atrás sobre a educação (ou falta dela) dos ciclistas na USP.
 

Abs!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O equipamento está ligado ao nível do atleta?


Quando comecei a praticar o triathlon em 1997 não havia muitas opções de equipamento. As bicicletas eram de cro-mo (liga de cromo e molibdênio)ou alumínio. Carbono, Rodas de competição, bermudas, macaquinhos com materiais tecnológicos, roupas de borracha não existiam (ou eram muito caros e raros).

Com isso pude acompanhar a evolução das bicicletas, tive bicicletas de alumínio, depois com garfo de carbono, depois com traseira de carbono, depois toda de carbono, comprei rodas de competição, roupas de borracha, roupas de prova tecnológicas etc...

Pude também acompanhar o crescimento do esporte aqui no Brasil, e crescer junto com ele. Começando no short, depois o olímpico, o meio iron e finalmente o Ironman.

Mas me pergunto, se eu estivesse começando hoje; o que me impediria de comprar uma P5C e me inscrever num IRONMAN??? 

NADA!!! (talvez o orçamento e/ou a Andressa)

O problema é que parece que isso incomoda muita gente.

Nas redes sociais leio frequentemente críticas às pessoas que “não merecem o equipamento que tem”. O que me leva a perguntar; quem define o nível de equipamento que cada um pode ter?

O que seria da Cervelo, Trek, Specialized etc... se somente um Craig Alexander, um Chris MacCormack, uma Crissie Wellington pudessem pedalar suas bikes top? Afinal eles MERECEM O EQUIPAMENTO! Logo se essas bikes são projetadas para eles, quem somos nós, mortais para querer pedalar numa bike dessas??

As empresas precisam vender P5´s, Shiv´s, Trek´s Concepts etc.. para AMADORES e é disso que sobrevivem!  Sem o desejo de ter um equipamento top, não existiria a indústria de bicicletas de competição.

Somente cerca de 5% dos inscritos do IMBrasil se classificam para o Havaí, então somente esses 5% poderiam andar com os melhores equipamentos, já que os demais “não merecem o equipamento que tem”?

Como disse o Renato Fabri, o grande barato do ciclismo e do triathlon é que você pode comprar a mesma bike que o Craig Alexander usou no Havaí e pedalar por aí com ela! Seja à 25km/h ou a 45km/h! A bike é sua e é igualzinha à do Bicampeão mundial! Já pensou se os fãs de automobilismo pudessem ter um Ferrari igual à do Schumacher?!?!

Por isso que quando leio críticas sobre pessoas que "desperdiçam o equipamento" fico chateado por quem critica, pois me parece um comentário cheio de inveja e recalque. E aposto que quem critica, quando comprou seu equipamento, comprou o melhor que podia e não usou seus resultados como base para a compra.

Sempre que alguém que está iniciando me pergunta sobre que equipamento comprar, respondo sempre a mesma coisa: COMPRE O MELHOR QUE PUDER! Assim você fica bastante tempo com ele e não perde dinheiro.

Acho que existe uma preocupação muito grande com o TER na sociedade de hoje, mas existe outra preocupação maior ainda com o “porque ele TEM e eu NÃO TENHO”.

Nem vou entrar aqui na discussão sobre as criticas à quem inicia no Triathlon para fazer o Ironman. Que também parece incomodar muita gente (sem razão).

 

Bons treinos!

 

Abs!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Esse cara tá tomando!!

(foto postada por Renato Fabri)
 

Com o caso Lance Armstrong e após a divulgação da notícia de quem um atleta campeão da categoria 55-59 no mundial de 70.3 em Las Vegas, o assunto doping tomou espaço nas discussões de todos os atletas, sejam eles amadores ou profissionais. E as opiniões se dividem com relação aos dois casos. Por isso decidi escrever aqui a MINHA OPINIÃO (que fique bem claro).

Caso Lance Armstrong:

Minha impressão pessoal sobre LA; um sobrevivente do câncer que conseguiu de maneira fantástica, retomar sua vida e, mais do que isso, voltar a ser um atleta de Elite.
Esses feitos já seriam suficientes para colocá-lo em um patamar de visibilidade e notoriedade para o resto da sua vida, divulgando sua "fundação", angariando patrocínios etc...

Mas a ganância do ser humano (e das empresas e instituições que o cercam) não permitiram que ele parasse por aí.
Foi então criada uma rede de mentiras, envolvendo atletas, dirigentes, médicos, patrocinadores etc... Que se mostrou uma organização criminosa digna de José Dirceu e seus aceclas.
 
Criminosa SIM, pois alterar resultados de eventos esportivos é crime e é isso que foi feito.

Após toda esta investigação LA foi banido do esporte e perdeu todos os seus 7 títulos da volta da França.

Justo? Claro!
Ele é o único que usa substâncias ilícitas? Claro que não!
Agora é aproveitar o momento e fazer uma limpeza no Ciclismo! Testem todos os atletas do Pro Tour, do primeiro ao último, quantas vezes forem necessárias para devolver a credibilidade ao Ciclismo.

Alguns dizem que o atleta profissional ao se dopar, o faz como influência do meio. Assim como um jovem que fuma ou bebe para ser aceito pelos seus pares. BOBAGEM! Um jovem que fuma ou bebe para ser aceito pelos amigos, o faz por BURRICE! O Atleta que se dopa por influência do meio o faz por falta de caráter! Por querer levar vantagem de forma ilícita!

Lance Armstrong é um herói?
Na luta contra o Câncer; SIM! (e não me venham com teorias da conspiração de que ele forjou a doença para se dopar, acho que é um pouco demais)
No esporte, DE JEITO NENHUM!

Doping entre os amadores:

Quantas vezes não ouvi a frase: ESSE CARA TÁ TOMANDO!!!

Dirigida à amigos, conhecidos e à mim mesmo.
Quando o Mundo Tri divulgou que testariam os amadores em KONA, houve nas redes sociais uma chuva de posts do tipo: "agora pegam todo mundo!", "agora eu quero ver", "a casa vai cair para vários" etc...
E quando foi anunciado que um atleta campeão do 55-59 foi pego no anti-doping foi a mesma coisa: "se pegou só um foi pouco!",  "foi um faltam vários"...

De novo, MINHA OPINIÃO, acho que tem muita gente que quer justificar seu desempenho, ou o não atingimento de uma meta pessoal, diminuindo o sucesso alheio. Ou seja, eu não consegui a vaga, ou o pódium, mas todos esses caras que chegaram na minha frente "tomam", ou "não trabalham"...

Vocês já viram o que esses caras treinam? Há quanto tempo treinam? O histórico esportivo deles? Tem muita coisa envolvida no "andar muito" além do "tomar alguma coisa".

Tem gente que usa substâncias ilegais? Claro que tem! Mas não são todos e não são a maioria!
Vamos nos focar nos nossos treinos, na nossa alimentação, na nossa rotina e nos nossos resultados, que tenho certeza, seremos mais felizes fazendo nosso esporte.

E digo mais, vamos esquecer um pouco os resultados! Vamos treinar, vamos nos divertir, vamos dar risada. Pois como disseram meus amigos Luiz Eng e Daniel Bettito, TREINAR É MUITO MAIS LEGAL QUE COMPETIR!!!

Abs e bons treinos!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

TRISTAR 111 RIO DE JANEIRO - Minhas impressões e opiniões


 
Como o assunto tem gerado muitos posts nas mídias sociais e tomado grande parte das conversas entre o pessoal, vou aproveitar esse espaço para fazer algumas considerações sobre a prova. Se estou certo ou errado cabe a vocês analisarem, pois esta é a visão que eu como atleta tive da prova.

 

1)   Entrega dos Kits:

Muito bem organizada, staffs gentis e preparados e informações claras.

Expo ainda pequena, afinal o Evento ainda não tem tradição, mas creio que isso pode vir a acontecer.

 

2)   BIKE CHECK IN:

Também muito bem organizado no mesmo nível da entrega dos Kits.

Vale ressaltar aqui a preocupação da organização com os racks para a colocação das bicicletas. Sem dúvida nenhuma, os melhores que já vi até hoje nesses quase 15 anos de triathlon.

 

3)   ÁREAS DE TRANSIÇÃO (minha opinião; não sei quais foram as reais necessidade disso)

Achei desnecessária a criação de duas áreas de transição diferentes (para quem não foi, a T1 era em um local e a T2 em outro). Mas não creio que isso seja ponto negativo ou positivo. Se bem organizado não há problema. E durante a prova não senti nenhum prejuízo causado por esta situação.

 

4)   NATAÇÃO:

Faltou a montagem do “curral” de largada, ou uma faixa, ou algo que delimitasse a área de largada.

A mudança do percurso na última hora atrapalhou um pouco também (provavelmente esta mudança teve algo à ver com a ondulação e ventos, gostaria de saber a razão). Mas creio eu que se as boias que sinalizavam o percurso fossem maiores (eram cubos de aproximadamente 1,5m de lado) e com cores mais contrastantes (eram pretas ou brancas) seria mais fácil a navegação.

 

5)   CICLISMO:

Com relação ao percurso nada a comentar, as juntas de dilatação na Perimetral são chatas, mas não chegaram a ser problemas, tanto que não me lembro de ter visto atletas com pneus furados nesta parte do percurso. O asfalto estava em bom estado. Quem pedala na USP, na Av. Portuária em Santos, como eu deve ter achado um tapete!

Acho que o tamanho do percurso x o número de atletas é que foi equivocado, 5 voltas de 20km com mais de 600 atletas era óbvio que ia dar confusão. E é aí que vem minha indignação.

Recebemos alguns dias antes da prova um Briefing com slides com o regulamento da prova, onde um dos slides fazia referência ao controle de vácuo.

É sabido que o controle de vácuo é um problema mundial. Quem acompanhou o Ironman em Kona este sábado sabe do que estou falando. Porém a solução não está nas mãos da organização ou dos atletas somente. É uma solução compartilhada entre as duas frentes.

Os atletas tem que conhecer a regra e cumpri-la. E a organização tem que fazer a regra ser cumprida (sem medo). Sempre que há a sensação de impunidade, infelizmente a maioria tende a descumprir as regras em benefício próprio quando a fiscalização é falha. Constatação triste, MAS REALISTA.

 

Desculpas de atletas do tipo:

1)               Era impossível não andar na roda!

2)               Estava todo mundo na roda. Então fui também

3)               Eu estava puxando o pelotão o tempo todo, só na hora que fotografaram ou filmaram é que reduzi e fui engolido pelo pelote.

Não são cabíveis! Eu mantive meu ritmo dentro do meu plano e dentro daquilo que sei que sou capaz durante os 100km, fui ultrapassado por 3 pelotes e não entrei em nenhum deles. E quem quiser fazer isso pode fazer sem problema nenhum.

Com relação à organização; se existe uma regra que diz que existe uma área de vácuo compreendida por um retângulo de 7m x 3m, onde nenhum atleta pode permanecer por mais de 15 segundos durante as ultrapassagens, a organização tem que cumpri-la com rigor, seja com 1, com 10 ou com TODOS os atletas que descumprirem a regra! Se durante o percurso os atletas começam a ver outros atletas sendo penalizados com cartões, “stop and go”, penalty box etc... a reincidência diminui. Pois como eu disse, quando há percepção por parte dos atletas que a regra está sendo cumprida, eles tendem a se policiar.
Quando a prova termina e você está de cabeça quente, sua primeira reação é xingar tudo e a todos, procurar fotos que comprovem que houve pelotões na prova, postar os nomes de quem estava no vácuo. Mas passado o tempo, você percebe que não são estas as atitudes mais corretas. O melhor a fazer é sentar e escrever sua opinião e encaminhar aos organizadores buscando o melhor para o seu esporte.
              
Ainda no percurso do ciclismo o ponto de hidratação apresentava alguns problemas. Era muito curto, com poucos staffs e com garrafas tradicionais de água e/ou isotônico. O que tornava impossível que os atletas levassem a água, pois estas garrafas além de não possuírem as tampas “esportivas” não cabem nos suportes das bicicletas.

A entrada para T2 estava muito mal sinalizada o que causou confusão e até fez com que alguns atletas fossem “obrigados” a dar uma volta a mais, pois passaram do ponto de entrada e ouve desencontro de informações com os staffs.

6)   CORRIDA:

A área da T2 não apresentou nenhum problema digno de nota. Assim como o percurso da corrida.

7)   DISPERÇÃO E ENTREGA DAS SACOLAS:

A entrega dos kits foi confusa, talvez pela existência de duas áreas de transição o que dificultou a logística das 3 sacolas (street, bike, run).

8)   RESULTADOS:

 

Ainda não temos até o momento (17/10, 09:11 a.m) os resultados com as parciais divulgados.

 

Como eu disse anteriormente, essa é a minha visão sobre a prova e pontos que podem ser melhorados.

São vários pontos, mas nenhum deles me faria deixar de participar de uma próxima etapa que, por ventura, venha a ser realizada.

Fiz meu primeiro Triathlon em 1998, meu primeiro Long Distance em 2000 e meu primeiro Ironman em 2002, se eu me deixasse levar pelas primeiras impressões das provas naqueles momentos, talvez não estivesse praticando o esporte que amo até hoje.

Nosso esporte é carente de provas e de empresas organizadoras, se quando aparecer uma empresa disposta a realizar novos eventos, todos nos unirmos para destruir a prova, criticar pura e simplesmente. Nosso esporte não evoluirá. Cabe a nós como atletas apoiarmos as iniciativas, demonstrarmos nossas insatisfações e ajudarmos como pudermos.

 

Uma sugestão que eu gostaria de colocar para os organizadores é que numa próxima etapa, considerem a hipótese de conceder um desconto para aqueles atletas que prestigiaram a primeira etapa, assim como foi feito pela WTC com o primeiro 70.3 Miami que apresentou algumas falhas também.

 

Fico a disposição dos organizadores para ajudar como eu puder e naquilo que acharem que está ao meu alcance.

 

Abraços e bons treinos!

 

 

 

 

 

               

               

               

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Esporte Olímpico" Brasileiro


A cada quatro anos o brasileiro parece se lembrar de que existem outros esportes além do futebol.  Durante os meses de Julho e Agosto, todos viram admiradores de nadadores, ginastas, atletas, triatletas, decatletas, levantadores de peso e, obviamente, jogadores de Futebol.

O grande problema é que o Brasil não tem cultura esportiva (bom, o Brasil não tem cultura nenhuma, mas isso é tema para outra discussão), no Brasil ou o cara é campeão ou o cara é um lixo! Ou é herói nacional, ou é a vergonha do país!

É justo isso?

Óbvio que não!

O governo brasileiro (o atual ou seus antecessores) NUNCA investiu no esporte! Nunca houve no Brasil um projeto de transformar o país numa potência olímpica. Como se justifica o Brasil, um país com 200.000.000 de habitantes ficar atrás da Argentina (40.000.000 hab), ou de Cuba (11.000.000 hab) no quadro de medalhas?  Será que nesta população toda só existem talentos para o futebol?

Nas potências Olímpicas, Estados Unidos e China, principalmente existem observadores em campeonatos infantis, juvenis de todas as modalidades para pinçar talentos e moldá-los para serem futuros campeões. Segundo uma entrevista que assisti no Sportv com um técnico do programa olímpico americano ele disse que são necessárias 500 crianças selecionadas para cada campeão estadual, 5.000 para um campeão nacional e 100.000 para um campeão olímpico! Não sei se eram estas exatamente as proporções, mas era algo em torno disso.


No Brasil não temos sequer campeonatos infantis, juvenis ou universitários bem organizados! Como podemos selecionar futuros campeões?!?!

O que acontece aqui é que os atletas são descobertos “por acaso” quando já são juvenis, indo para a idade adulta! Ou nem são descobertos, eles aparecem! Caso de Gustavo Kuerten, Cesar Cielo, Gustavo Borges, Maureen Magi, Fabiana Murer, etc...

Esses atletas, depois de anos de dedicação e investimento próprio e de suas famílias são “apadrinhados” pelo COB (que tem uma administração lamentável), na fase que já “não precisam tanto”. Afinal depois de apresentar resultados, eles têm patrocínios, apoios e conseguem manter-se treinando, mesmo sem o apoio do COB, aliás muitos, para se manterem competitivos treinam fora do país.

E quando esses atletas que, apesar da indiferença do país se aposentam o que acontece com eles? Montam projetos próprios para fomentar o esporte, diversificam atividades, mas a maioria deixa o esporte.

Michael Johnson (ex-recordista mundial dos 100m rasos) hoje treina jovens do projeto olímpico norte-americano. Assim como Joaquim Cruz (ouro olímpico nos 800m em Los Angeles 1984). Sim Joaquim Cruz é técnico nos EUA e NÃO NO BRASIL!

O Brasil gasta mais para levar a comitiva do Governo para as olimpíadas que na geração de talentos olímpicos para o país.

Eis que então começam os Jogos Olímpicos e vejo comentaristas e cidadãos usando expressões como “amarelou”, “sentiu a pressão”, “vergonha para o país” etc...

Vergonha de quê? Amarelou para quem?

Façamos uma analogia para que fique claro para quem nunca participou de uma competição esportiva.

Exigir medalha de um atleta brasileiro é o mesmo que exigir que uma criança no ensino fundamental que estudou nas piores escolas públicas, passe no vestibular da FUVEST concorrendo com alunos do ensino médio que estudaram nas melhores escolas do país!

Atletas olímpicos brasileiros são heróis! Eles estão lá apesar do nosso país, apesar do(s) nosso(s) governo(s) e apesar do nosso POVO (que não tem noção do que é uma olimpíada) e merecem nosso respeito e admiração!

O Barão Pierre de Cobertain disse a seguinte frase (conhecida por todos); “O importante não é vencer, é competir com dignidade”.

Será que é digno competir com um uniforme preso por alfinetes? Ou com a bandeira de seu país impressa de ponta cabeça? Ou não ter o mínimo de infraestrutura para a prática de seu esporte?

Parabéns a todos os atletas olímpicos brasileiros! Vocês merecem meu aplauso e minha admiração.

Em quatro anos o povo não poderá dizer que vocês amarelam, ou que vocês envergonham o país. Pois, infelizmente, todos nós sentiremos vergonha do país que nascemos, ao vermos o quanto foi perdido (roubado) de dinheiro para que outros países que sabem achar e moldar talentos, façam a festa em nosso país (se conseguirmos organizar os jogos).
Abs,