Meus amores

Meus amores

quinta-feira, 21 de março de 2013

Prioridades secundárias


 
 
Frequento a Cidade Universitária desde criança, quando participava das aulas de introdução a pratica esportiva no CEPEUSP, e nesta época já  havia ciclistas treinando dentro do Campus.
Anos depois fiz o curso de Medicina Veterinária na FMVZ-USP e justamente nesta época, frequentando o CEPEUSP, agora como aluno, conheci alguns triatletas e decidi testar este esporte pelo qual me viciei até hoje e espero não me curar tão cedo.
A Universidade de São Paulo não me apresentou apenas o triathlon. Lá pude ver de perto furtos e roubos de carros, sequestros relâmpago, notícias de estupro, tráfico e consumo de drogas dos mais variados tipos (a USP foi o primeiro local onde vi pessoas cheirando e injetando cocaína livremente numa festa em uma unidade do Campus).
Mas onde eu quero chegar com isso?
Pois bem escrevo isso por que, de novo, a Prefeitura do Campus demonstra enorme preocupação em regulamentar a prática do Ciclismo esportivo dentro da Cidade Universitária como se esse fosse o principal problema do campus.
Em abril de 2005 o ciclismo chegou a ser proibido dentro do Campus. Cheguei a ser perseguido pela Guarda Universitária, que me acompanhou até meu carro e me obrigou a guardar a bicicleta e me escoltou “gentilmente” até o portão de saída. Depois disso já tivemos outras tentativas de limitar o campus para o Ciclismo, todas, ainda bem, mal sucedidas.
O que faz a USP, seus estudantes e funcionários (quase todos, menos minha queridíssima esposa e meu pai rsrsrs) achar que a cidade universitária é um mundo à parte, onde eles podem proibir as pessoas de entrar e sair? A USP é de todos nós! Somos nós que sustentamos aquilo tudo. Nós que bancamos os professores, funcionários, alunos e até aquela meia dúzia de idiotas que vez ou outra decide proibir a PM de entrar no Campus para que possam traficar e consumir suas drogas livremente.
Eu não sou contra a regulamentação do ciclismo dentro da Cidade Universitária. Acho que o número de praticantes cresceu demais, tem muita gente que não respeita leis básicas de convivência, existem assessorias que não estão nem aí (todos sabem à quem me refiro), enfim algo precisa ser feito.
O que me causa estranheza é esta preocupação enorme com a regulamentação de locais e horários para a prática do ciclismo esportivo.
Por que a Prefeitura do Campus não se preocupa em regulamentar local e horário para a prática dos assaltos, furtos de veículos, estupros, tráfico e/ou consumo de drogas? Facilitaria bastante o combate à estes crimes. E por que não direcionar a já escassa guarda universitária para coibir crimes ao invés de práticas esportivas?
Mas criar as regras é fácil. Difícil é criar fiscalização, educação e punição aos infratores.
Como eu já disse antes em outro post (http://bnitrini.blogspot.com/2011/06/educacao-ou-adestramento.html); você pode ensinar seu cachorro a não subir no sofá, mas se não vigiar e não puni-lo quando ele subir, quando você virar as costas e adivinha onde ele vai dormir? O ser humano é igualzinho! Alguns precisam de educação, mas a maioria só funciona com adestramento!
Espero que prevaleça o bom senso nessa situação. Tanto dos gestores da USP quanto dos que se utilizam da cidade universitária para seus treinos.
Vou deixar aqui o link de um outro post que fiz algum tempo atrás sobre a educação (ou falta dela) dos ciclistas na USP.
 

Abs!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O equipamento está ligado ao nível do atleta?


Quando comecei a praticar o triathlon em 1997 não havia muitas opções de equipamento. As bicicletas eram de cro-mo (liga de cromo e molibdênio)ou alumínio. Carbono, Rodas de competição, bermudas, macaquinhos com materiais tecnológicos, roupas de borracha não existiam (ou eram muito caros e raros).

Com isso pude acompanhar a evolução das bicicletas, tive bicicletas de alumínio, depois com garfo de carbono, depois com traseira de carbono, depois toda de carbono, comprei rodas de competição, roupas de borracha, roupas de prova tecnológicas etc...

Pude também acompanhar o crescimento do esporte aqui no Brasil, e crescer junto com ele. Começando no short, depois o olímpico, o meio iron e finalmente o Ironman.

Mas me pergunto, se eu estivesse começando hoje; o que me impediria de comprar uma P5C e me inscrever num IRONMAN??? 

NADA!!! (talvez o orçamento e/ou a Andressa)

O problema é que parece que isso incomoda muita gente.

Nas redes sociais leio frequentemente críticas às pessoas que “não merecem o equipamento que tem”. O que me leva a perguntar; quem define o nível de equipamento que cada um pode ter?

O que seria da Cervelo, Trek, Specialized etc... se somente um Craig Alexander, um Chris MacCormack, uma Crissie Wellington pudessem pedalar suas bikes top? Afinal eles MERECEM O EQUIPAMENTO! Logo se essas bikes são projetadas para eles, quem somos nós, mortais para querer pedalar numa bike dessas??

As empresas precisam vender P5´s, Shiv´s, Trek´s Concepts etc.. para AMADORES e é disso que sobrevivem!  Sem o desejo de ter um equipamento top, não existiria a indústria de bicicletas de competição.

Somente cerca de 5% dos inscritos do IMBrasil se classificam para o Havaí, então somente esses 5% poderiam andar com os melhores equipamentos, já que os demais “não merecem o equipamento que tem”?

Como disse o Renato Fabri, o grande barato do ciclismo e do triathlon é que você pode comprar a mesma bike que o Craig Alexander usou no Havaí e pedalar por aí com ela! Seja à 25km/h ou a 45km/h! A bike é sua e é igualzinha à do Bicampeão mundial! Já pensou se os fãs de automobilismo pudessem ter um Ferrari igual à do Schumacher?!?!

Por isso que quando leio críticas sobre pessoas que "desperdiçam o equipamento" fico chateado por quem critica, pois me parece um comentário cheio de inveja e recalque. E aposto que quem critica, quando comprou seu equipamento, comprou o melhor que podia e não usou seus resultados como base para a compra.

Sempre que alguém que está iniciando me pergunta sobre que equipamento comprar, respondo sempre a mesma coisa: COMPRE O MELHOR QUE PUDER! Assim você fica bastante tempo com ele e não perde dinheiro.

Acho que existe uma preocupação muito grande com o TER na sociedade de hoje, mas existe outra preocupação maior ainda com o “porque ele TEM e eu NÃO TENHO”.

Nem vou entrar aqui na discussão sobre as criticas à quem inicia no Triathlon para fazer o Ironman. Que também parece incomodar muita gente (sem razão).

 

Bons treinos!

 

Abs!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Esse cara tá tomando!!

(foto postada por Renato Fabri)
 

Com o caso Lance Armstrong e após a divulgação da notícia de quem um atleta campeão da categoria 55-59 no mundial de 70.3 em Las Vegas, o assunto doping tomou espaço nas discussões de todos os atletas, sejam eles amadores ou profissionais. E as opiniões se dividem com relação aos dois casos. Por isso decidi escrever aqui a MINHA OPINIÃO (que fique bem claro).

Caso Lance Armstrong:

Minha impressão pessoal sobre LA; um sobrevivente do câncer que conseguiu de maneira fantástica, retomar sua vida e, mais do que isso, voltar a ser um atleta de Elite.
Esses feitos já seriam suficientes para colocá-lo em um patamar de visibilidade e notoriedade para o resto da sua vida, divulgando sua "fundação", angariando patrocínios etc...

Mas a ganância do ser humano (e das empresas e instituições que o cercam) não permitiram que ele parasse por aí.
Foi então criada uma rede de mentiras, envolvendo atletas, dirigentes, médicos, patrocinadores etc... Que se mostrou uma organização criminosa digna de José Dirceu e seus aceclas.
 
Criminosa SIM, pois alterar resultados de eventos esportivos é crime e é isso que foi feito.

Após toda esta investigação LA foi banido do esporte e perdeu todos os seus 7 títulos da volta da França.

Justo? Claro!
Ele é o único que usa substâncias ilícitas? Claro que não!
Agora é aproveitar o momento e fazer uma limpeza no Ciclismo! Testem todos os atletas do Pro Tour, do primeiro ao último, quantas vezes forem necessárias para devolver a credibilidade ao Ciclismo.

Alguns dizem que o atleta profissional ao se dopar, o faz como influência do meio. Assim como um jovem que fuma ou bebe para ser aceito pelos seus pares. BOBAGEM! Um jovem que fuma ou bebe para ser aceito pelos amigos, o faz por BURRICE! O Atleta que se dopa por influência do meio o faz por falta de caráter! Por querer levar vantagem de forma ilícita!

Lance Armstrong é um herói?
Na luta contra o Câncer; SIM! (e não me venham com teorias da conspiração de que ele forjou a doença para se dopar, acho que é um pouco demais)
No esporte, DE JEITO NENHUM!

Doping entre os amadores:

Quantas vezes não ouvi a frase: ESSE CARA TÁ TOMANDO!!!

Dirigida à amigos, conhecidos e à mim mesmo.
Quando o Mundo Tri divulgou que testariam os amadores em KONA, houve nas redes sociais uma chuva de posts do tipo: "agora pegam todo mundo!", "agora eu quero ver", "a casa vai cair para vários" etc...
E quando foi anunciado que um atleta campeão do 55-59 foi pego no anti-doping foi a mesma coisa: "se pegou só um foi pouco!",  "foi um faltam vários"...

De novo, MINHA OPINIÃO, acho que tem muita gente que quer justificar seu desempenho, ou o não atingimento de uma meta pessoal, diminuindo o sucesso alheio. Ou seja, eu não consegui a vaga, ou o pódium, mas todos esses caras que chegaram na minha frente "tomam", ou "não trabalham"...

Vocês já viram o que esses caras treinam? Há quanto tempo treinam? O histórico esportivo deles? Tem muita coisa envolvida no "andar muito" além do "tomar alguma coisa".

Tem gente que usa substâncias ilegais? Claro que tem! Mas não são todos e não são a maioria!
Vamos nos focar nos nossos treinos, na nossa alimentação, na nossa rotina e nos nossos resultados, que tenho certeza, seremos mais felizes fazendo nosso esporte.

E digo mais, vamos esquecer um pouco os resultados! Vamos treinar, vamos nos divertir, vamos dar risada. Pois como disseram meus amigos Luiz Eng e Daniel Bettito, TREINAR É MUITO MAIS LEGAL QUE COMPETIR!!!

Abs e bons treinos!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

TRISTAR 111 RIO DE JANEIRO - Minhas impressões e opiniões


 
Como o assunto tem gerado muitos posts nas mídias sociais e tomado grande parte das conversas entre o pessoal, vou aproveitar esse espaço para fazer algumas considerações sobre a prova. Se estou certo ou errado cabe a vocês analisarem, pois esta é a visão que eu como atleta tive da prova.

 

1)   Entrega dos Kits:

Muito bem organizada, staffs gentis e preparados e informações claras.

Expo ainda pequena, afinal o Evento ainda não tem tradição, mas creio que isso pode vir a acontecer.

 

2)   BIKE CHECK IN:

Também muito bem organizado no mesmo nível da entrega dos Kits.

Vale ressaltar aqui a preocupação da organização com os racks para a colocação das bicicletas. Sem dúvida nenhuma, os melhores que já vi até hoje nesses quase 15 anos de triathlon.

 

3)   ÁREAS DE TRANSIÇÃO (minha opinião; não sei quais foram as reais necessidade disso)

Achei desnecessária a criação de duas áreas de transição diferentes (para quem não foi, a T1 era em um local e a T2 em outro). Mas não creio que isso seja ponto negativo ou positivo. Se bem organizado não há problema. E durante a prova não senti nenhum prejuízo causado por esta situação.

 

4)   NATAÇÃO:

Faltou a montagem do “curral” de largada, ou uma faixa, ou algo que delimitasse a área de largada.

A mudança do percurso na última hora atrapalhou um pouco também (provavelmente esta mudança teve algo à ver com a ondulação e ventos, gostaria de saber a razão). Mas creio eu que se as boias que sinalizavam o percurso fossem maiores (eram cubos de aproximadamente 1,5m de lado) e com cores mais contrastantes (eram pretas ou brancas) seria mais fácil a navegação.

 

5)   CICLISMO:

Com relação ao percurso nada a comentar, as juntas de dilatação na Perimetral são chatas, mas não chegaram a ser problemas, tanto que não me lembro de ter visto atletas com pneus furados nesta parte do percurso. O asfalto estava em bom estado. Quem pedala na USP, na Av. Portuária em Santos, como eu deve ter achado um tapete!

Acho que o tamanho do percurso x o número de atletas é que foi equivocado, 5 voltas de 20km com mais de 600 atletas era óbvio que ia dar confusão. E é aí que vem minha indignação.

Recebemos alguns dias antes da prova um Briefing com slides com o regulamento da prova, onde um dos slides fazia referência ao controle de vácuo.

É sabido que o controle de vácuo é um problema mundial. Quem acompanhou o Ironman em Kona este sábado sabe do que estou falando. Porém a solução não está nas mãos da organização ou dos atletas somente. É uma solução compartilhada entre as duas frentes.

Os atletas tem que conhecer a regra e cumpri-la. E a organização tem que fazer a regra ser cumprida (sem medo). Sempre que há a sensação de impunidade, infelizmente a maioria tende a descumprir as regras em benefício próprio quando a fiscalização é falha. Constatação triste, MAS REALISTA.

 

Desculpas de atletas do tipo:

1)               Era impossível não andar na roda!

2)               Estava todo mundo na roda. Então fui também

3)               Eu estava puxando o pelotão o tempo todo, só na hora que fotografaram ou filmaram é que reduzi e fui engolido pelo pelote.

Não são cabíveis! Eu mantive meu ritmo dentro do meu plano e dentro daquilo que sei que sou capaz durante os 100km, fui ultrapassado por 3 pelotes e não entrei em nenhum deles. E quem quiser fazer isso pode fazer sem problema nenhum.

Com relação à organização; se existe uma regra que diz que existe uma área de vácuo compreendida por um retângulo de 7m x 3m, onde nenhum atleta pode permanecer por mais de 15 segundos durante as ultrapassagens, a organização tem que cumpri-la com rigor, seja com 1, com 10 ou com TODOS os atletas que descumprirem a regra! Se durante o percurso os atletas começam a ver outros atletas sendo penalizados com cartões, “stop and go”, penalty box etc... a reincidência diminui. Pois como eu disse, quando há percepção por parte dos atletas que a regra está sendo cumprida, eles tendem a se policiar.
Quando a prova termina e você está de cabeça quente, sua primeira reação é xingar tudo e a todos, procurar fotos que comprovem que houve pelotões na prova, postar os nomes de quem estava no vácuo. Mas passado o tempo, você percebe que não são estas as atitudes mais corretas. O melhor a fazer é sentar e escrever sua opinião e encaminhar aos organizadores buscando o melhor para o seu esporte.
              
Ainda no percurso do ciclismo o ponto de hidratação apresentava alguns problemas. Era muito curto, com poucos staffs e com garrafas tradicionais de água e/ou isotônico. O que tornava impossível que os atletas levassem a água, pois estas garrafas além de não possuírem as tampas “esportivas” não cabem nos suportes das bicicletas.

A entrada para T2 estava muito mal sinalizada o que causou confusão e até fez com que alguns atletas fossem “obrigados” a dar uma volta a mais, pois passaram do ponto de entrada e ouve desencontro de informações com os staffs.

6)   CORRIDA:

A área da T2 não apresentou nenhum problema digno de nota. Assim como o percurso da corrida.

7)   DISPERÇÃO E ENTREGA DAS SACOLAS:

A entrega dos kits foi confusa, talvez pela existência de duas áreas de transição o que dificultou a logística das 3 sacolas (street, bike, run).

8)   RESULTADOS:

 

Ainda não temos até o momento (17/10, 09:11 a.m) os resultados com as parciais divulgados.

 

Como eu disse anteriormente, essa é a minha visão sobre a prova e pontos que podem ser melhorados.

São vários pontos, mas nenhum deles me faria deixar de participar de uma próxima etapa que, por ventura, venha a ser realizada.

Fiz meu primeiro Triathlon em 1998, meu primeiro Long Distance em 2000 e meu primeiro Ironman em 2002, se eu me deixasse levar pelas primeiras impressões das provas naqueles momentos, talvez não estivesse praticando o esporte que amo até hoje.

Nosso esporte é carente de provas e de empresas organizadoras, se quando aparecer uma empresa disposta a realizar novos eventos, todos nos unirmos para destruir a prova, criticar pura e simplesmente. Nosso esporte não evoluirá. Cabe a nós como atletas apoiarmos as iniciativas, demonstrarmos nossas insatisfações e ajudarmos como pudermos.

 

Uma sugestão que eu gostaria de colocar para os organizadores é que numa próxima etapa, considerem a hipótese de conceder um desconto para aqueles atletas que prestigiaram a primeira etapa, assim como foi feito pela WTC com o primeiro 70.3 Miami que apresentou algumas falhas também.

 

Fico a disposição dos organizadores para ajudar como eu puder e naquilo que acharem que está ao meu alcance.

 

Abraços e bons treinos!

 

 

 

 

 

               

               

               

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Esporte Olímpico" Brasileiro


A cada quatro anos o brasileiro parece se lembrar de que existem outros esportes além do futebol.  Durante os meses de Julho e Agosto, todos viram admiradores de nadadores, ginastas, atletas, triatletas, decatletas, levantadores de peso e, obviamente, jogadores de Futebol.

O grande problema é que o Brasil não tem cultura esportiva (bom, o Brasil não tem cultura nenhuma, mas isso é tema para outra discussão), no Brasil ou o cara é campeão ou o cara é um lixo! Ou é herói nacional, ou é a vergonha do país!

É justo isso?

Óbvio que não!

O governo brasileiro (o atual ou seus antecessores) NUNCA investiu no esporte! Nunca houve no Brasil um projeto de transformar o país numa potência olímpica. Como se justifica o Brasil, um país com 200.000.000 de habitantes ficar atrás da Argentina (40.000.000 hab), ou de Cuba (11.000.000 hab) no quadro de medalhas?  Será que nesta população toda só existem talentos para o futebol?

Nas potências Olímpicas, Estados Unidos e China, principalmente existem observadores em campeonatos infantis, juvenis de todas as modalidades para pinçar talentos e moldá-los para serem futuros campeões. Segundo uma entrevista que assisti no Sportv com um técnico do programa olímpico americano ele disse que são necessárias 500 crianças selecionadas para cada campeão estadual, 5.000 para um campeão nacional e 100.000 para um campeão olímpico! Não sei se eram estas exatamente as proporções, mas era algo em torno disso.


No Brasil não temos sequer campeonatos infantis, juvenis ou universitários bem organizados! Como podemos selecionar futuros campeões?!?!

O que acontece aqui é que os atletas são descobertos “por acaso” quando já são juvenis, indo para a idade adulta! Ou nem são descobertos, eles aparecem! Caso de Gustavo Kuerten, Cesar Cielo, Gustavo Borges, Maureen Magi, Fabiana Murer, etc...

Esses atletas, depois de anos de dedicação e investimento próprio e de suas famílias são “apadrinhados” pelo COB (que tem uma administração lamentável), na fase que já “não precisam tanto”. Afinal depois de apresentar resultados, eles têm patrocínios, apoios e conseguem manter-se treinando, mesmo sem o apoio do COB, aliás muitos, para se manterem competitivos treinam fora do país.

E quando esses atletas que, apesar da indiferença do país se aposentam o que acontece com eles? Montam projetos próprios para fomentar o esporte, diversificam atividades, mas a maioria deixa o esporte.

Michael Johnson (ex-recordista mundial dos 100m rasos) hoje treina jovens do projeto olímpico norte-americano. Assim como Joaquim Cruz (ouro olímpico nos 800m em Los Angeles 1984). Sim Joaquim Cruz é técnico nos EUA e NÃO NO BRASIL!

O Brasil gasta mais para levar a comitiva do Governo para as olimpíadas que na geração de talentos olímpicos para o país.

Eis que então começam os Jogos Olímpicos e vejo comentaristas e cidadãos usando expressões como “amarelou”, “sentiu a pressão”, “vergonha para o país” etc...

Vergonha de quê? Amarelou para quem?

Façamos uma analogia para que fique claro para quem nunca participou de uma competição esportiva.

Exigir medalha de um atleta brasileiro é o mesmo que exigir que uma criança no ensino fundamental que estudou nas piores escolas públicas, passe no vestibular da FUVEST concorrendo com alunos do ensino médio que estudaram nas melhores escolas do país!

Atletas olímpicos brasileiros são heróis! Eles estão lá apesar do nosso país, apesar do(s) nosso(s) governo(s) e apesar do nosso POVO (que não tem noção do que é uma olimpíada) e merecem nosso respeito e admiração!

O Barão Pierre de Cobertain disse a seguinte frase (conhecida por todos); “O importante não é vencer, é competir com dignidade”.

Será que é digno competir com um uniforme preso por alfinetes? Ou com a bandeira de seu país impressa de ponta cabeça? Ou não ter o mínimo de infraestrutura para a prática de seu esporte?

Parabéns a todos os atletas olímpicos brasileiros! Vocês merecem meu aplauso e minha admiração.

Em quatro anos o povo não poderá dizer que vocês amarelam, ou que vocês envergonham o país. Pois, infelizmente, todos nós sentiremos vergonha do país que nascemos, ao vermos o quanto foi perdido (roubado) de dinheiro para que outros países que sabem achar e moldar talentos, façam a festa em nosso país (se conseguirmos organizar os jogos).
Abs,


segunda-feira, 16 de julho de 2012

É CULPA DO FUTEBOL!!!!




                Nos últimos dias, principalmente na quarta feira 04/07/2012, dia do jogo da final da Copa Libertadores  2012, entre Corinthians e Boca Jr. Na qual meu Corinthians sagrou-se campeão (hehehe). Li e ouvi muitos comentários em redes sociais, blogs, jornais etc... Onde se dizia que se o brasileiro se preocupasse com a corrupção (ou com qualquer outro problema social) como se preocupa com futebol o país seria diferente, ser falta de respeito o barulho dos rojões e culpando o futebol pela falta de investimento no esporte olímpico.



                Respeito todas as opiniões, mas discordo integralmente de todas elas e explico.

1)      Se o brasileiro se importasse com os problemas do país como se importa com futebol o país seria muito melhor.

BOBAGEM!!!! Na Espanha, na França, na Argentina, no Chile, nos EUA eles são tão fanáticos por futebol  (ou futebol americano, basquete nos EUA) como nós aqui no Brasil e mesmo assim não deixam de protestar por seus direitos quando se sentem lesados. A diferença é que o povo brasileiro ou não tem educação para protestar, ou está satisfeito em receber uma bolsa esmola, ou (como eu) já desistiu do país.



2)      O barulho feito pelos rojões e comemorações são uma falta de respeito.

BOBAGEM II! Quando há provas de triatlon, de corrida, de ciclismo são fechadas rodovias, ruas e avenidas, o narrador começa a falar e a música a rolar por volta das 6:00 da manhã!  E no réveillon? Algumas religiões não comemoram a virada do ano no mesmo dia que a maioria? Pessoal é apenas um dia e por algumas horas, mais tolerância!



3)      O futebol é o culpado pela falta de investimento nos esportes olímpicos! Enquanto um jogador de futebol ganha milhões um atleta olímpico sofre para conseguir patrocínio para ir para a Olimpíada!

BOBAGEM III!! O dinheiro que vai para o futebol não é público (não estou falando de “obras para a copa do mundo”, obviamente). Quem investe na formação de atletas são os clubes e empresários! Países como Inglaterra, Itália, Espanha, França investem tanto quanto nós, ou mais, em jogadores de futebol. Eles também ganham muito dinheiro por lá! Nos EUA, jogadores de basquete, beisebol , futebol americano e Hóquei ganham muito mais que qualquer estrela olímpica.


             O Futebol é o esporte mais praticado no mundo, e tem uma coisa que nenhum esporte consegue. Ele mistura paixão com esporte! Eu adoro triatlon, vivo este esporte há 15 anos! Mas sou fanático mesmo é pelo CORINTHIANS!  Eu não fico tenso para torcer por alguém no Ironman do Havaí e nem vou deixar de dormir para comemorar a medalha de ouro olímpico que algum brasileiro (POR MÉRITO PRÓPRIO) venha a ganhar. Mas quando tem decisão envolvendo o Corinthians...

             Esporte é muito legal, mas como disse minha amiga e CORINTHIANÍSSIMA Angel Martins; “Esporte é esporte. Futebol é futebol”.

             O que eu quero deixar claro aqui é que se você não gosta de futebol, eu entendo, assim como tem gente que não gosta de esporte nenhum. Mas colocar a culpa dos problemas do Brasil seja na parte social ou na falta de investimento no esporte olímpico no FUTEBOL, é um pouco demais. Podemos continuar adorando futebol e começar a lutar por nossos direitos, investir no esporte olímpico e na educação do povo, mas aí o buraco é beeeeem mais embaixo.

                 

Abraços

terça-feira, 12 de junho de 2012

O PREÇO (E O GLAMOUR) DO SONHO





O preço (e o glamour) do sonho



                no último dia 01 de junho foram abertas e encerradas as inscrições do IRONMAN BRASIL 2013. Pelo que ouvi (boato ou não é a informação que eu tenho) as inscrições se esgotaram em 18 minutos. Mesmo com muitos atletas reclamando do “alto” valor da inscrição.

                O que eu quero discutir aqui é exatamente a questão do “alto” valor da inscrição.

                Eu, como muitos amigos triatletas, trabalho na área comercial e tenho alguma experiência na  área de marketing, por isso me sinto à vontade para discutir o assunto formação de preço.

                Como se forma o preço de um produto? Quem forma o preço de um produto?

                Na maioria dos casos (como a empresa em que trabalho) a formação do preço de um produto é feito de fora para dentro, ou seja, do mercado para a empresa, logo quem define o preço de um produto é o MERCADO E OS CONSUMIDORES. QUANTO O MERCADO ESTÁ DISPOSTO A PAGAR PELO SEU PRODUTO?

                E o que é o IRONMAN BRASIL (ou qualquer outra prova de Triathlon)? UM PRODUTO!  E o que é a Latin Sports (ou qualquer outra empresa organizadora de eventos)? UMA EMPRESA COM FINS LUCRATIVOS.

                Isto posto vamos à discussão do “alto” preço da inscrição. Se as inscrições foram abertas em 01/06/2012 às 11h00min e se esgotaram às 11h18min, o preço pode ser “antipático” para alguns consumidores, mas mercadologicamente falando está longe de estar alto.

                Pois o IRONMAN como produto tem um atributo que todos buscam em seus produtos. ELE É UM OBJETO DE DESEJO, UM SONHO. E SONHO NÃO TEM PREÇO! Quem é casado sabe o que significa “o casamento” para a sua esposa. E sabe que as empresas se “aproveitam” desse fator para inflacionar o preço. Tudo dentro do normal e da regra de mercado.

                Alto é o valor cobrado em provas como o Troféu Brasil, que já foi um circuito extremamente competitivo e hoje está esvaziado de atletas e patrocinadores, pois essa lógica de mercado (elasticidade do preço x demanda) é negligenciada pelo organizador.

Se você coloca um preço que afasta o consumidor do seu produto e o leva para produtos concorrentes, seu preço está claramente errado. Ou está fora de mercado (alto) ou é considerado caro para o produto oferecido. Fechar os olhos para isso é matar lentamente o produto.

                Outra observação importante, quando fiz meu primeiro Ironman em 2002, as inscrições não se esgotavam (se não me engano largaram 600 atletas), inclusive era possível fazer a inscrição na expo! Eu fiz a minha em março daquele ano e paguei na época US$ 280, o que equivalia a aproximadamente R$750,00.

                Nesses 10 anos muita coisa mudou, o triathlon cresceu e o IRONMAN cresceu mais ainda, o valor da prova dobrou, mas a estrutura oferecida melhorou (e muito).

                Acho que o problema aqui (no Brasil) não é o preço, e sim a falta de opções de provas.  Hoje temos pelo mundo diversas provas na distância de 140.6 e 70.3 (Great Floridian, Roth Chalenge, REV3 etc...) que são tão bem organizadas como o IM, mas não tem o GLAMOUR de um IRONMAN e talvez por isso sejam opções mais baratas e menos procuradas por atletas.

                Se houvesse, no Brasil, alguém disposto a organizar provas nas distâncias 70.3 ou 140.6 sem o “selo” Ironman, será que esgotariam como o IM? Será que com provas de qualidade com preços mais baixos (por não terem o selo IM) não criariam concorrência com o IMB e com isso o preço cairia?

                Aí se abre outra discussão; o que os atletas buscam? O objetivo de cumprir a distância de 70.3 ou 140.6 ou o Glamour de uma prova com o selo IRONMAN? Por que se as pessoas buscam o glamour do IM, temos que saber que glamour tem preço e este só pode ser considerado alto, a partir do momento em que ninguém comprar. Até lá o preço, sob o ponto de vista de marketing e comercial, está correto.



Abs, bons treinos!